Viscossuplementação pode ser um ótimo tratamento para a artrose
A incidência da artrose vem aumentando cada vez mais e acomete a maioria dos indivíduos acima de 50 anos. Esse quadro é fruto do envelhecimento da população mundial, ou seja, acontece em todos os continentes. Por isso, o tema merece total atenção dos...
A incidência da artrose vem aumentando cada vez mais e acomete a maioria dos indivíduos acima de 50 anos. Esse quadro é fruto do envelhecimento da população mundial, ou seja, acontece em todos os continentes. Por isso, o tema merece total atenção dos especialistas e ao menor sinal de dor, crepitação, edema e redução de movimento o médico ortopedista, reumatologista ou fisiatra deve ser procurado.
A artrose é a degeneração progressiva das articulações. Os principais fatores relacionados à artrose são a idade (praticamente 100% das pessoas aos 90 anos têm artrose), a sobrecarga mecânica das articulações e após traumas ou cirurgias, como, por exemplo, fatura do joelho, o que é muito comum.
Há uma boa notícia, porém. Os tratamentos estão cada vez mais avançados e com ótimos resultados, permitindo ao paciente a recuperação da qualidade de vida perdida. A viscossuplementação pode ser uma excelente alternativa para tratar a artrose. A viscossuplementação é um tratamento utilizado para reposição de fluídos nas articulações com desgaste. É como colocar uma espécie de lubrificante entre as estruturas ósseas e cartilaginosas das articulações, para que diminua o impacto e a dor. Os viscossuplementos são produtos compostos basicamente de ácido hialurônico, um dos principais componentes do líquido sinovial do joelho normal. Ao ser aplicado na articulação, melhora a pressão intra-articular, amortece os impactos e lubrifica, gerando alívio da dor e melhora do movimento, diminuindo a sensação de rigidez. A viscossuplementação é feita por médico especialista, em consultório.
Estenose na coluna tem tratamento individualizado no CREB
A estenose, também conhecida como estreitamento foraminal, acontece quando há redução do espaço de onde saem as raízes nervosas da coluna para o resto do corpo. Isso acontece normalmente por alterações degenerativas na anatomia da coluna vertebral, c...
A estenose, também conhecida como estreitamento foraminal, acontece quando há redução do espaço de onde saem as raízes nervosas da coluna para o resto do corpo. Isso acontece normalmente por alterações degenerativas na anatomia da coluna vertebral, como por exemplo os osteófitos, também conhecidos como bico de papagaio, que causam compressão das raízes nervosas.
Os sintomas variam de acordo com a região da coluna afetada
“Dor, dormência, formigamento, sensação de queimação ou mesmo de desconforto e fraqueza são os principais sintomas da estenose . Ela pode causar sintomas no pescoço, na mão, nos ombros e braços também. A estenose da coluna lombar, por sua vez, pode causar sintomas na lombar (parte inferior da coluna), nas pernas e pés, nos quadris ou nos glúteos. A natureza dos sintomas varia de acordo com a região afetada da coluna”, explica o ortopedista Marcio Taubman, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
Além de medicamentos, o tratamento proposto no CREB utiliza-se de protocolos que incluem hidroterapia, em suas duas piscinas apropriadas para essa prática, RPG, para alongamento da musculatura, e pilates terapêutico, para fortalecimento da musculatura. “Além disso, podemos prescrever a eletroterapia e a acupuntura, que também trazem excelente respostas. Mas vale ressaltar que cada casa é um caso e o tratamento no CREB é individualizado”, garante o Dr. Marcio.
Artrose sem atalhos: Ciência, responsabilidade e os limites das Novas Terapias
A dor crônica tem um preço alto, e não apenas para quem a sente.
Para o paciente, é a limitação do dia a dia, a dificuldade de subir uma escada, de dormir, de trabalhar. Para o médico, é o desafio de alinhar expectativas com evidências em um mercado saturado de promessas. Para as operadoras de saúde, é o custo crescente de procedimentos que nem sempre entregam o resultado que prometem.
A artrose está no centro desse paradoxo. E entender esse cenário é essencial para todos os envolvidos.
Uma doença complexa num mercado de soluções simples
A artrose não é apenas "desgaste de cartilagem". É uma doença multifatorial que envolve processos inflamatórios, alterações ósseas e desequilíbrios biomecânicos que se desenvolvem ao longo de anos. Tratá-la exige uma abordagem igualmente complexa.
O problema é que o mercado não vende complexidade. Vende milagre.
Nos últimos anos, multiplicaram-se as promessas de "regeneração articular", "reversão do envelhecimento da cartilagem" e "cura definitiva", conceitos que, até o momento, não encontram sustentação robusta na literatura científica. Pacientes vulnerabilizados pela dor são expostos a um ecossistema que mistura ciência emergente, marketing agressivo e interpretações distorcidas de evidências. E médicos, operadoras e sistemas de saúde arcam com as consequências dessa confusão.
O que a ciência realmente diz, e o que ela ainda não provou
Suplementos como glucosamina, condroitina e colágeno tipo II são amplamente consumidos e frequentemente indicados como "condroprotetores". Metanálises de alto nível, porém, mostram efeitos modestos, sem evidência consistente de modificação estrutural da doença. Podem beneficiar alguns pacientes, mas não justificam as promessas amplas que costumam acompanhá-los.
Fitoterápicos como cúrcuma, arnica e garra-do-diabo apresentam propriedades anti-inflamatórias em estudos, mas a tradução desses efeitos para benefício clínico concreto permanece limitada e heterogênea. São alternativas mais seguras que os anti-inflamatórios tradicionais, especialmente nos pacientes mais idosos, e por isso são amplamente utilizados mesmo com baixa comprovação científica.
No campo das terapias injetáveis, a discussão ganha mais peso clínico e financeiro. A viscossuplementação com ácido hialurônico apresenta resultados variáveis nas metanálises, mas já está validada nos principais algoritmos de tratamento das sociedades de Ortopedia, Reumatologia e do estudo da cartilagem. Na prática clínica, reduziu o encaminhamento de pacientes à cirurgia, o que representa um ganho real de eficiência para as operadoras.
O plasma rico em plaquetas (PRP) vem ganhando espaço como alternativa biológica: obtido do próprio sangue do paciente, concentrado por centrifugação e infiltrado na articulação, apresenta resultados comparáveis à viscossuplementação, especialmente em casos leves a moderados. No entanto, a grande heterogeneidade nos protocolos e técnicas limita a previsibilidade dos resultados. Em muitos casos, o benefício não ultrapassa os tratamentos tradicionais estabelecidos e não se mantém a longo prazo.
Combinações de PRP e ácido hialurônico vêm sendo estudadas, com algumas metanálises sugerindo melhora superior em dor e função em relação ao uso isolado de cada um. Ainda assim, nenhuma dessas abordagens configura evidência de regeneração estrutural consistente. São tratamentos que aliviam sintomas, não que revertam a doença.
No topo da "cadeia de promessas" estão as terapias com células-tronco. Obtidas da medula óssea ou do tecido adiposo, oferecem sinal de benefício potencialmente superior ao PRP e ao ácido hialurônico em alguns desfechos. Mas seguem pertencendo, em grande parte, ao campo da pesquisa: variabilidade metodológica elevada, risco de viés e ausência de padronização impedem seu uso amplo e rotineiro. São procedimentos mais invasivos, realizados frequentemente em centro cirúrgico, muitas vezes associados a cirurgias minimamente invasivas, o que aumenta significativamente a complexidade e o custo.
O problema não é a ciência em construção. É quando ela é vendida como ciência consolidada.
Muitas dessas intervenções não são necessariamente ineficazes. O problema está na forma como são apresentadas. Há uma diferença fundamental entre "ter algum potencial benefício" e "ser uma solução comprovada". A primeira pertence ao campo da pesquisa séria. A segunda, ao marketing.
Para o paciente, essa confusão gera expectativas frustradas e gastos desnecessários. Para o médico, compromete a credibilidade e a relação terapêutica. Para a operadora, representa custo sem retorno clínico consistente.
O que realmente funciona, e por que é menos glamouroso
Enquanto o debate sobre novas terapias avança, o que permanece no topo da evidência científica continua sendo menos vendável: perda de peso, fortalecimento muscular, reabilitação articular, hidroterapia e fisioterapia individualizada.
Não prometem milagres, mas entregam resultados reais, consistentes e reproduzíveis. Essas medidas estão no topo dos algoritmos de tratamento das principais diretrizes globais. Do meu ponto de vista, deveriam ser indicação obrigatória de todo médico que se propõe a tratar artrose, antes, durante e junto de qualquer outra abordagem.
Para as operadoras, são também as intervenções com melhor custo-efetividade e maior impacto na redução da sinistralidade a longo prazo.
O papel de cada um nessa equação
A artrose não tem cura milagrosa. E talvez o maior risco não esteja na doença em si, mas na ilusão coletiva de que ela já foi resolvida por algo que ainda não foi suficientemente comprovado.
Cabe ao paciente buscar informação qualificada e desconfiar de promessas absolutas. Cabe ao médico manter o rigor científico mesmo sob pressão de expectativas e de mercado. Cabe à operadora de saúde estruturar protocolos de cobertura baseados em evidência, protegendo o paciente, valorizando o médico criterioso e gerindo recursos com responsabilidade.
Doenças crônicas exigem abordagens contínuas, baseadas em ciência e construídas sobre confiança. Não atalhos. Não narrativas rápidas. Não soluções fáceis para problemas complexos.
por Rodrigo Kaz
Ortopedista, especialista em joelho e Diretor Médico do CREB - Centro de Reumatologia, Ortopedia e Fisioterapia.
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